terça-feira, maio 30, 2006

O Papa visitou Auschwitz

Ao concluir a sua visita à Polónia, Bento XVI atravessou no passado Domingo (Solenidade da Ascensão), a porta do campo de concentração de Auschwitz.
Esta foi uma visita incluída pessoalmente pelo Papa na sua 2ª viagem apostólica internacional, que seguiu as marcas biográficas de João Paulo II.
Depois de ter visitado em silêncio os lugares de horror, ter rezado longamente no símbolo do Holocausto e ter falado com sobreviventes do campo de extermínio, o pontífice pronunciou que: «Tomar a palavra neste lugar de horror, de crimes contra Deus e contra o homem sem precedência na história, é quase impossível, e é particularmente difícil e oprimente para um cristão, para um Papa que procede da Alemanha». «Num lugar como este faltam as palavras; no fundo, só há espaço para um atónito silêncio, um silêncio que é um grito interior para Deus: por que te calaste? Por que quiseste tolerar tudo isso?» perguntou o Papa. «Não podia deixar de vir aqui. Tinha de vir. Era e é um dever frente à verdade e frente ao direito de quem sofreu, um dever frente a Deus, vir aqui como sucessor de João Paulo II e como filho do povo alemão», afirmou, «filho desse povo do qual tomou o poder um grupo de criminosos com promessas mentirosas, em nome de perspectivas de grandeza, de recuperação da honra da nação ou da sua importância, com pressões de bem estar e inclusive com a força do terror e da ameaça.» Desse modo, reconheceu, «o nosso povo pôde ser usado e abusado como instrumento de sua mania de destruição e de domínio. Onde estava Deus nesses dias? Por que se calou?», continuou o Papa. «Não podemos prescrutar o segredo de Deus, só fragmentos, e enganamo-nos quando queremos converter-nos em juízes de Deus e da história.» O Papa pediu para adoptarmos a mesma atitude que manifesta o povo judeu nos Salmos quando implora: «Desperta! Não te esqueças da tua criatura, o homem!». «O nosso grito dirigido a Deus tem que ser ao mesmo tempo um grito que penetra no nosso próprio coração para que desperte em nós a presença escondida de Deus, para que o poder que depositou em nossos corações não fique coberto ou sufocado em nós pelo egoísmo, pelo medo dos homens, pela indiferença e pelo oportunismo.» O bispo de Roma considerou que é particularmente necessário elevar este grito a Deus no momento actual, «no qual parecem surgir novamente nos corações dos homens todas as forças escuras: por um lado, o abuso do nome de Deus para justificar uma violência cega contra pessoas inocentes; e por outro, o cinismo que não reconhece Deus e que ridiculariza a fé n’Ele». «Gritamos a Deus para que leve os homens a arrependerem-se e a reconhecerem que a violência não cria paz, mas suscita mais violência, um círculo de destruição no qual, no final de contas, todos perdem.»
in Zenit

quarta-feira, maio 24, 2006

Genética, preconceito e ditadura

Há assuntos que nos são sucessivamente impostos pela imprensa. Sem relevância prática ou significado real, vêm à actualidade por manifesto enviezamento dos jornalistas. A homossexualidade é um desses. Uma questão menor de costumes, para mais do foro pessoal, não mereceria atenção especial no meio dos graves problemas actuais se não existisse quem insiste em a impor.Desta vez a ocasião foi um estudo sueco, citado na prestigiada revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences, a que a nossa imprensa deu larga cobertura (Destak, 10 de Maio; SIC Notícias, 13 de Maio, etc.). Segundo as notícias, essa análise demonstra a "tendência homossexual determinada à nascença" e que a orientação sexual é genética.a atitude sexual está longe de ser um instinto acéfalo absolutamente incontrolável. Cada um de nós, pessoas racionais, continua a poder determinar a sua vida de forma autónoma.Mas o aspecto interessante nunca foi a ciência, mas o propósito e a interpretação destas notícias. Partamos por isso do princípio de que aquilo que os nossos jornais dizem é verdade. Vamos assumir, para efeitos argumentativos, que a homossexualidade é apenas um assunto genético, sem qualquer influência comportamental ou escolha própria. O que é que tal significaria para a sua avaliação?Isto significa que, quanto à questão valorativa, estas investigações são irrelevantes. A atitude perante a homossexualidade ou o racismo depende de uma posição moral, ideológica de fundo, o tal preconceito.Os resultados científicos, que são importantes para compreender a questão, não chegam para a avaliar. Sabemos há décadas que o mongolismo está impresso nos genes, mas isso não o torna bom.O problema, de facto, é moral, não médico.uma doença é algo de natural, tão natural como a saúde. Aquilo que nos leva a considerar certas coisas naturais como doenças e outras como saudáveis é a nossa opinião de fundo sobre elas. É aí, e não na sua naturalidade, que reside o verdadeiro problema. Há cem anos o racismo era normal, e a homossexualidade aberrante. Hoje inverteram-se as situações. Mas aqueles que, desde sempre, repudiaram ambas são considerados preconceituosos, antes quanto à primeira, agora quanto à segunda.A visão milenar da Igreja Católica considera a homossexualidade como "depravação grave... intrinsecamente desordenada", mas acolhendo as pessoas com tendências homossexuais com "respeito, compaixão e delicadeza" (Catecismo da Igreja Católica, 2357-8). Por que razão esta posição, que está muito mais profundamente justificada e doutrinalmente elaborada que qualquer outra, é chamada um "preconceito do Vaticano" (SIC, loc. cit.), mas a oposta não é um preconceito dos media?Todos partimos de uma atitude moral para julgar o mundo. Por que razão algumas são aceitáveis e outras preconceitos? Neste tempo tolerante, cada um assume as suas posições e respeita as dos outros. Mas a imprensa, na sua proverbial imparcialidade, citando estudos que não entende, ataca arrogantemente umas e exalta outras. Esta é a feroz ditadura mediática em que vivemos.
João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
Professor universitário

quinta-feira, maio 18, 2006

Liberdade religiosa

Numa altura em que se fala muito de liberdade religiosa e em que alguns países, com o pretexto de a salvaguadarem, têm vindo a aprovar medidas que mais não são que verdadeiros atentados a essa mesma liberdade, é importante escutar o que Bento XVI tem a dizer sobre o assunto:
"Bento XVI lançou hoje, no Vaticano, um apelo em favor da liberdade religiosa no mundo, defendendo que esta “é um aspecto fundamental e primordial da liberdade de consciência das pessoas e da liberdade dos povos”. “É importante que, em todo o mundo, qualquer pessoa possa aderir à religião da sua escolha e praticá-la livremente e sem medo, porque ninguém pode fundar a sua existência unicamente na procura de um bem material”, disse o Papa ao receber as cartas credenciais dos novos embaixadores da Austrália, Cabo Verde, Chade, Índia e Moldávia. Para Bento XVI, aceitar a liberdade religiosa, nas suas vertentes pessoais e comunitárias, “terá, sem dúvida, efeitos benéficos sobre a vida social”, dado que todos os crentes são convidados a “colocar-se ao serviço dos seus irmãos e construir a paz”. O Papa sublinhou ainda a importância do trabalho diplomático em todo o mundo, procurando criar “pontes entre os países, na perspectiva da instauração e da afirmação da paz e de relações mais fortes entre os povos”. Nesse sentido, desafiou os vários países a “comprometer-se de forma concreta, aceitando não olhar unicamente para o interesse dos seus próximos ou de uma classe particular da sociedade, em detrimento do interesse geral”. “Na era da globalização, importa que a gestão da vida política não seja guiada unicamente por considerações de ordem económica”, alertou Bento XVI, pedindo que os responsáveis das nações construam “um mundo livre, fraterno e solidário, onde a atenção pelas pessoas esteja acima dos simples aspectos económicos”."

Código da Vinci

O filme "O Código da Vinci" revela bem como a figura de Cristo é hoje uma das mais contempladas, celebradas e analisadas. E no entanto, não deixa de ser inesperada uma situação como esta!
Quem diz "Eu e o Pai somos um" (Jo 10, 30) ou é Deus, ou é louco. Perante alguém que afirma "vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder, vir sobre as nuvens do céu" (Mc 14, 61-62) não existe a possibilidade ocultista. Diante da frase "Na verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu sou." (Jo 8, 58), as únicas atitudes razoáveis são cair de joelhos como Pedro ou condenar à morte como Caifás. A posição esotérica é contraditória: nenhum guru sábio diria coisas destas.
O gnosticismo do Código da Vinci é mais uma etapa da luta materialista contra os cristãos. De facto, o que explica o sucesso do livro é o relativismo em que vivemos, a manifestação do fascínio pelo antigo paganismo (culto da fertilidade, natureza, mulher, etc). De forma mais ou menos explícita o que se condena no livro de Dan Brown, é tão somente a coisa mais importante acerca de Jesus Cristo: que Ele é O Filho de Deus, e Salvador do mundo. Ele - de facto, não é ficção! - penetrou a história da humanidade (temporalmente) e continua a penetrar a história pessoal de cada um. Como diz César das Neves: "O erro das velhas seitas renovadas é tratarem o Salvador como uma personalidade antiga curiosa, quando Ele está vivo. O problema está em ver Cristo como um Mestre teórico, quando Ele ama apaixonadamente cada um de nós. Há dois mil anos que Cristo interpela cada um com o Seu amor divino e crucificado. "Jesus estará em agonia até ao fim do mundo; não se deve dormir durante esse tempo" (Pascal, Pensées, ed. Brunschvicg 553)."

Sugiro a consulta do site http://www.jesusdecoded.com/index.php , para desmontar argumentos!

segunda-feira, maio 15, 2006

Fátima move multidões II


Fátima move multidões

"Duzentos e cinquenta mil peregrinos estiveram no dia 13 de Maio no Recinto de Oração do Santuário em Fátima a participar nas cerimónias da Peregrinação Internacional Aniversária, 89 anos após a aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria. Muitos outros acompanharam as celebrações do exterior do Recinto que se tornou demasiado diminuto para acolher a multidão de fiéis.
Vinte e cinco anos após o atentado de João Paulo II na Praça de S. Pedro, em Roma, presidiu a este encontro de fé em Fátima o Secretário Pessoal do falecido Sumo Pontífice, D. Stanislaw Dziwisz.
"Continuamos a agradecer ao Senhor e à sua Mãe Santíssima a vida dele, consumida ao longo dos sucessivos 24 anos de serviço fiel a Deus, à Igreja e à humanidade inteira", disse o Arcebispo de Cracóvia durante a homilia acrescentando "Para isto aqui vim: agradecer. Para dizer o meu muito obrigado pessoal e o obrigado da Igreja que está em Cracóvia, agora confiada aos meus cuidados pastorais pelo Papa Bento XVI".
No final das cerimónias, o Adminstrador Apostólico da Diocese de Leiria-Fátima enviou uma mensagem ao Santo Padre Bento XVI.
"Muitos milhares de Peregrinos de todas as Nações, neste Santuário Mariano de Fátima, Portugal, sob a presidência do Senhor Cardeal Stanislaw Dziwisz, Arcebispo de Krakóv, lembramos o saudoso Papa João Paulo II, fazemos memória do louco atentado de há 25 anos na Praça de S. Pedro, em Roma, e condenamos toda a espécie de violência.O tema da nossa peregrinação faz-se eco de S. Paulo: «Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santos?» ( 1 Cor. 6,20) .Rezamos pela efectiva dignidade humana e pela justiça, para que haja paz.Sabemos que a Mensagem de Fátima é o Evangelho e continua a ser um forte apelo à Conversão que é o segredo da Paz.Prometemos à Mãe ouvir e seguir na verdade o seu Filho, único Salvador, Jesus Cristo.Santo Padre Bento XVI, saudamos afectivamente Vossa Santidade, agradecendo toda a acção de Pastor e o magistério pontifício, nomeadamente a encíclica programática "Deus Cari tas est".Todos os dias reza-se no Santuário de Fátima pelo Papa. Esperamos voltar a ver e ouvir Vossa Santidade neste Santuário Mariano, que é "altar do mundo".Pedimos aos pastorinhos Francisco e Jacinta que nos ajude a viver e promover a Mensagem de Fátima.Que Deus abençoe e proteja Vossa Santidade, o nosso Papa Bento XVI.Apresentamos filiais cumprimentos e solicitamos a Bênção Apostólica".
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“Este é um dia 13 de Maio muito extraordinário”, afirmou Mons. Luciano Guerra acrescentando que a presença em Fátima do Cardeal Arcebispo de Cracóvia, secretário pessoal do falecido Papa João Paulo II, terá sido o principal motivo do grande número dos peregrinos em Fátima. “Eu penso que se deve ao facto de o presidente da Peregrinação ser D. Stanislaw Dziwisz, que foi o secretário do Papa João Paulo II, e os peregrinos terem um grande amor ao falecido Papa”. Em declarações à Sala de Imprensa do Santuário, o Reitor do Santuário de Fátima afirmou-se também “impressionado com o grande número de pessoas a assistir às cerimónias nas laterais ao recinto”."

Nossa Senhora de Fátima visita o Papa

"Bento XVI apresentou este domingo a mensagem de esperança para a humanidade deixado pela Virgem de Fátima, cuja imagem esteve em Roma por ocasião dos 25 anos do atentado contra João Paulo II. «Ao final, meu Coração imaculado triunfará», disse o Papa ao rezar o «Regina Caeli», recordando as palavras pronunciadas pela «Branca Senhora» aos pastorinhos portugueses em 1917. Em 13 de maio de 1981, «o servo de Deus João Paulo II sentiu que se havia salvado milagrosamente da morte pela intervenção de uma “mão maternal”, como ele mesmo disse, e todo seu pontificado ficou marcado pelo que a Virgem havia preanunciado em Fátima», explicou seu sucessor. A mensagem que a Virgem confiou a Francisco, Jacinta e Lúcia, seguiu evocando ante milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro, no Vaticano, «em continuidade com a de Lourdes, era um intenso chamado à oração e à conversão». Segundo o pontífice, trata-se de um anúncio «verdadeiramente profético, sobretudo se se considera que o século XX foi flagelado por inauditas destruições, causadas por guerras e por regimes totalitários, assim como por amplas perseguições contra a Igreja». «Ainda que não faltaram preocupações e sofrimentos, ainda que ainda há motivos de apreensão ante o futuro da humanidade, consola o que prometeu a «Branca Senhora» aos pastorinhos: “Ao final, meu Coração imaculado triunfará”», reconheceu. Às 17h desse dia, foi levada em procissão à capela particular do Papa, que pôde rezar perante ela durante a noite e a manhã do sábado seguinte. A imagem foi levada em procissão depois à Igreja de Santo Estevão dos Abisinios, que se encontra no Vaticano, e mais tarde à Sala Paulo VI, por ocasião do encontro promovido pela Obra Romana das Peregrinações na segunda Jornada do Peregrino. Pela tarde, a estátua foi transportada de helicóptero até o Castelo de Santo Angelo, onde foi acolhida por vinte mil peregrinos, que, liderados pelo cardeal Ivan Dias, arcebispo de Bombaim, levaram-na em procissão pela Via da Conciliação até a praça de São Pedro. A procissão deteve-se no ponto exato no qual Karol Wojtyla caiu ao receber o impacto das balas do terrorista turco Mehmet Ali Agca. No solo, nesse mesmo lugar, colocou-se, por ocasião do aniversário, uma lápide de recordação na qual estão gravados o escudo de João Paulo II e a data do atentado em números romanos. Em seguida, o cardeal Camillo Ruini, bispo vigário do Papa para a diocese de Roma, presidiu a eucaristia na Basílica de São Pedro. Na homilia, recordou o poema «Stanislaw», escrito por Karol Wojtyla pouco antes de ser eleito Papa: «Se a palavra não converteu, será o sangue a converter». Ao final da celebração eucarística, Bento XVI uniu-se aos presentes com uma mensagem, lida pelo cardeal Ruini, na qual desejou que «a mensagem de Fátima seja cada vez mais acolhida, compreendida e vivida em toda comunidade»."

quinta-feira, maio 11, 2006

Uma Igreja politicamente incorrecta

No dias de hoje assumir este tipo de opiniões revela uma grande coragem da parte de Bento XVI, não só porque enfrenta a "doutrina" dominante mas principalmente porque mostra que a Igreja não se desvia do seu caminho, ainda que corra o risco de perder alguns fiéis. E é isso que a torna caminho de salvação. A Igreja à semelhança de tudo o que nos rodeia não existe para nos servir, para fazer as nossas vontades nem para mudar tal como o Mundo muda. A Igreja é um farol que deverá emanar muita luz e cujos alicerces deverão ser bem fortes.
"Bento XVI pediu hoje que se evite qualquer "confusão" entre o casamento e "outros tipos de união baseados num amor débil", como as uniões de facto ou as uniões homossexuais. “A diferença sexual que conota o corpo do homem e da mulher não é um simples dado biológico, mas reveste-se de um significado bem mais profundo: exprime aquela forma de amor com que o homem e a mulher se tornam uma só carne, podendo realizar uma autêntica comunhão de pessoas abertas à transmissão da vida e cooperam, assim, com Deus para a geração de novos seres humanos”, disse o Papa, falando no Vaticano aos participantes de um Congresso Internacional sobre a família e o matrimónio. "Só a rocha do amor total e irrevogável entre homem e mulher é capaz de fundar a construção de uma sociedade que se converta em casa para todos os homens", acrescentou. Bento XVI lembrou os ensinamentos de João Paulo II sobre o amor e pediu a superação de "uma concepção privada do amor, hoje tão difundida". "A comunhão da vida e do amor, que é o casamento, configura-se, assim, como um autêntico bem para a sociedade", sustentou o Papa. O Instituto Pontifício João Paulo II para os estudos sobre Matrimónio e Família, da Universidade Pontifícia Lateranense, promove por estes dias o Congresso “A herança de João Paulo II sobre o matrimónio e a família: amar o amor humano”. Bento XVI lembrou que no dia 13 de Maio de 1981, em que sofreu um atentado contra a sua vida, João Paulo II preparava-se exactamente para anunciar a criação deste Instituto. O Papa referiu-se a dois elementos que caracterizam “a novidade do ensinamento de João Paulo II sobre o amor humano”: primeiro, que o matrimónio e a família têm a sua raiz “no núcleo mais íntimo da verdade sobre o homem e o seu destino”; segundo, que em Cristo “se manifesta também a verdade plena da vocação do amor humano”. Lembrando a sua primeira encíclica, "Deus caritas est", Bento XVI sublinhou que “a estreita relação que existe entre a imagem de Deus Amor e o amor humano permite-nos perceber que à imagem do Deus monoteísta corresponde o matrimónio monogâmico”.

Jesus à mesa

"As refeições de Jesus foram elemento central de ruptura e confronto com as instituições sociais e religiosas do seu tempo, tendo motivado, em última instância, a sua eliminação. Foi assim que o Pe. Tolentino Mendonça, exegeta português, encerrou ontem na UCP o seminário internacional sobre o “Jesus Histórico”, promovido pelo Centro de Estudos e Culturas (CERC) Cardeal Höffner. “As refeições de Jesus eram uma ameaça ao mundo religioso do seu tempo”, explicou, lembrando que a comunidade de mesa com os pecadores era tida como “uma insolência de Jesus, uma actuação anárquica do ponto de vista social e religioso”. O Código da pureza ritual (Lv 11) mostra, de facto, como as escolhas alimentares de um membro do povo de Deus deviam ser consideradas como fundamentos da sua identidade. Jesus, contudo, comia com os “impuros”, aqueles que transportavam consigo uma fractura dessa identidade. Para Tolentino Mendonça, apesar de a imagem de Jesus como comensal não ser predominante na catequese e no anúncio da Igreja, o motivo das refeições não é “secundário nem periférico” no Novo Testamento, em especial no Evangelho de Lucas.Este especialista lembra que Jesus “manipulou a forma tradicional” como eram organizadas as refeições no seu contexto judaico, revelando uma grande originalidade. “As refeições foram grandes sinais para a compreensão da personagem, nos Evangelhos, e constituíram para os opositores de Jesus um obstáculo intransponível, um derradeiro motivo para a sua eliminação”, apontou. Após um enquadramento do significado da refeição no contexto mediterrânico e na cultura bíblica, Tolentino de Mendonça defendeu que a refeição coloca Jesus “numa posição simbólica”, relativa a Ele próprio e ao Reino de Deus. Nas refeições, ele inverteu a ordem social, a prática e as expectativas do seu tempo, transformando-as “num lugar onde o reino se descobre e constrói”. Ainda hoje, o centro da celebração da memória de Jesus na Igreja é uma refeição, a Eucaristia, celebrações que Tolentino Mendonça lamenta terem deixado de ser “um elemento de ruptura cristã”, para se transformarem em elementos de continuidade."

quarta-feira, maio 10, 2006

Congresso Mundial das Novas Realidades Eclesiais e Comunidades

A anteceder a Vigília de Pentecostes dos movimentos eclesiais e novas comunidades com o Papa Bento XVI (3 de Junho), terá lugar em Rocca di Papa (perto de Roma), entre 31 de Maio e 2 de Junho, o Congresso Mundial das Novas Realidades Eclesiais e Comunidades, sobre o tema «A beleza de ser cristão e a alegria de comunicá-lo» cujo programa poderá ser visto aqui. Este congresso contará com a presença do Cardeal Christophe Schonbörn, do Cardeal Carlo Calfarra, do Cardeal Marc Ouellet, do Cardeal Angelo Scola, do Monsenhor Rylko e do Monsenhor Jose Clemens e ainda de representantes dos Focolares, do Caminho Neocatecumenal, Comunhão e Libertação, Carismáticos, entre outros, exemplos de realidades eclesiais existentes na Igreja. Como explica a apresentação que se faz no site do encontro, esta reunião deverá «constituir um ulterior passo para a meta da plena “maturidade eclesial” destas novas realidades eclesiais. Para mais informações ver o site http://www.laici.org/.

domingo, maio 07, 2006

Vocações

Inicio-me neste blog, num dia em que a Igreja dirige as suas orações para as Vocações religiosas. Ao ler a mensagem do Papa neste dia não posso deixar de ficar impressionado, aconselho-vos a lerem também, principalmente aos jovens!

Da mensagem do Papa:
“A celebração do próximo Dia Mundial de Oração pelas Vocações oferece-me a oportunidade para convidar todo o Povo de Deus para reflectir sobre o tema da Vocação no mistério da Igreja. O apóstolo Paulo escreve: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo [...] Ele nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo [...] Ele nos predestinou para sermos seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo” (Ef. 1:3-5). Antes da criação do mundo e antes da nossa existência, o Pai do céu nos escolheu pessoalmente para nos chamar a entrar em relação filial com Ele, por meio de Jesus, Verbo feito carne, sob a guia do Espírito Santo. Morrendo por nós, Jesus inseriu-nos no mistério do amor do Pai, amor que totalmente o envolve e que Ele oferece a todos. Deste modo, unidos a Jesus como cabeça, formamos um só corpo, a Igreja.”
in Vaticano


Algumas notícias referentes a este dia:

"«A vocação cristã implica renovar sempre esta amizade pessoal com Jesus Cristo, que dá pleno sentido à própria existência e a faz disponível para o Reino de Deus», reconheceu. «A Igreja vive desta amizade --seguiu dizendo em uma ensolarada manhã de primavera européia--, alimentada pela Palavra e os Sacramentos, realidades santas confiadas de maneira particular ao ministério dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos, consagrados pelo sacramento da Ordem»."
in Zenit

“Afirmando que a “messe é grande” e os trabalhadores “poucos”, o Papa admite que hoje “sentimos vivamente a necessidade de rezar pelas vocações para o sacerdócio e a vida consagrada”. Apesar de verificar que “ nalgumas regiões se regista falta de Clero”, Bento XVI mostra-se confiante com “a certeza de que Cristo continua a suscitar homens que, como os Apóstolos, abandonam qualquer outra ocupação para se dedicar totalmente à celebração dos sagrados mistérios, à pregação do Evangelho e ao ministério pastoral”.”
in Ecclesia

sexta-feira, maio 05, 2006

Catequese para Valência

A propósito de Valência, aqui fica a 2.ª catequese do programa que foi preparado para todas as paróquias do mundo, elaborado pelo Conselho Pontifício para a Família e o arcebispado de Valência.
"Segunda catequese: Deus Uno e Trino
1. Canto Inicial.
2. Oração do Pai-nosso.
3. Leitura bíblica: Ef 1, 3-10.
4. Leitura do Ensino da Igreja:
1. O Mistério de Deus Uno e Trino se encontra no centro da família cristã. Os pais transmitem aos filhos esta verdade central de sua fé, na medida em que os incorporam à vida da família.
2. Deus é "Aquele que é" e "Deus é amor". Estes dois nomes estão tão unidos que manifestam a própria essência divina, que ultrapassa toda inteligência criada. Por isso, só Deus pode outorgar-nos um conhecimento recto e pleno de Si mesmo, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo. Desta vida divina participamos já, pela fé de modo incipiente na terra, e depois, de modo pleno pela visão de Deus, na vida eterna.
3. Graças à Revelação, podemos professar que Deus Pai em toda a eternidade engendra o Filho, e que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho como Amor sempiterno de ambos. As três Pessoas divinas, portanto, são eternas e iguais entre si; assim a vida e a felicidade de Deus são participadas totalmente por cada uma delas. Por isso, sempre é necessário venerar a divina unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
4. Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, revelou-nos este Mistério, enquanto nos manifestou o plano de Deus, isto é: que todos nós participamos -como filhos da comunhão de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
5. O próprio Jesus Cristo, quando roga ao Pai que "todos sejam um como nós também somos um" (Jo 17,21-22), nos faz entender uma certa semelhança entre a união misteriosa que une as Pessoas divinas, e a união dos filhos de Deus, unidos na verdade e na caridade. Esta semelhança mostra que o homem não pode encontrar sua própria plenitude se não na entrega de si mesmo aos demais. Esta semelhança com Deus, pela entrega de si mesmo, pela unidade e pelo amor, é a perfeição da família.
6. O matrimónio, que implica uma entrega total dos esposos entre si e dos pais para com os filhos, é, por isso, um perfeito reflexo da comunhão da Trindade. Assim, a dinâmica da vida em família tem que manifestar esta união íntima entre as Pessoas divinas.
7. Toda invocação, pois, à Santíssima Trindade em família, tem que levar a todos os seus membros a renovar os laços de comunhão entre si e a uma mais generosa comunicação de seus dons a outras famílias.
5. Reflexão do dirigente.
6. Diálogo:
--Jesus Cristo é Filho de Deus por sua natureza, e nós, por graça, o somos também. Quais são as semelhanças e quais as diferenças entre as duas filiações, a de Jesus, e a nossa? --Por que podemos dizer que a família cristã é um reflexo da Trindade? --Quais são os traços principais que a família deve manifestar em sua vivência cristã para que seja reflexo da vida da Trindade?
7. Compromissos.
8. Oração da Ave-maria e invocação:
Rainha da família - Orai por nós.
9. Oração pela família:
Deus Pai todo-poderoso que enviaste ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santificação para revelar aos homens teu admirável mistério; concede-nos professar a fé verdadeira, conhecer a glória da eterna Trindade e adorar sua Unidade todo-poderosa. Por Jesus Cristo Nosso Senhor.
10. Canto final."

Valência prepara o Encontro das Famílias


As obras no local onde se vai realizar o encontro decorrem a grande velocidade. Esperam-se centenas de milhares de pessoas para o encontro. Só do Caminho Neocatecumenal estima-se que mais de 100.000 pessoas se deslocarão a Valência em Julho para o encontro com Bento XVI.

quarta-feira, maio 03, 2006

Impressões

Vim há poucos dias da Terra Santa, e não encontro as palavras certas para descrever as impressões da viagem. Lá, os lugares falam por si, as pedras gritam: não há hipótese de não se ser tocado! A voz da História surge intimamente ligada ao testemunho de milhares de pessoas, crentes ou não, de diversas raças e religiões. Mais do que qualquer outro lugar do mundo, aquele lugar é prova de que a espiritualidade não está aquém do mundo, que Deus assumiu um rosto, viveu uma realidade. O Espírito (a Verdade!) veio ao mundo, fez questão de penetrar a nossa finitude material. É esse Mistério que se sente no ar. Penetrou o Tempo. E continua, ainda hoje, a dar que falar. Vê-se isso mesmo nos rostos dos judeus, cristãos, ortodoxos e muçulmanos que ali se encontram. Basta olhar com um mínimo de atenção para alguém que passe na praça do Santo Sepulcro, em Jerusalém: Jesus provoca a consciência de qualquer um!
Não se chega a perceber se os esforços de coabitação pacífica são recíprocos... Haverá uma aceitação generalizada (e resignada) do “outro”, ou um respeito mútuo, sincero? A fronteira é ténue. A verdade é que as ruas de Jerusalém são estreitas: não há hipótese de evitar o confronto. Não deixam de ser interessantes, no entanto, estes cruzamentos: vemos judeus vestidos de preto de olhar arrogante e antipático, vemos padres ortodoxos de barbas compridas, taciturnos e distantes, árabes com os seus panos na cabeça, e as contas na mão. À distância de um sorriso, torna-se até enriquecedor arriscar um diálogo amigável com algum destes "estranhos": apercebemo-nos de que afinal tudo é domável, basta um bocadinho de cumplicidade.
Ali as paisagens não são só bonitas: são expressão do divino. Os rios, os montes e as grutas exigem uma autoria perfeita. Não descansamos senão com a plenitude da Beleza. Queremos a Perfeição. Enfim... somos meros caminhantes!
Aderimos ao convite da Páscoa: “Ide e anunciai aos meus irmãos que vão até à Galileia. Lá me verão! (...) Eu estarei convosco até ao fim dos tempos.” Nós fomos... e vimo-Lo!
É mesmo verdade que o sepulcro está VAZIO, que a vasilha em Caná se encheu de vinho, que 2 peixes e 5 pães alimentaram 5 mil homens à beira do mar da Galileia, que só os "bem-aventurados" alcançarão o Reino dos Céus...Não se mede o espanto diante do quadro do Monte Tabor, do Mar Morto, do Lago de Tiberíades, do Monte das Bem Aventuranças, da Cidade Santa de Jerusalém.Não se exprime a sensação de dever cumprido ao sair do Sepulcro (vazio)! Urge confirmar que tendo visto estes lugares já nada é tão importante neste mundo.

Cristo não ensinou um dogma ou um conjunto de regras, submeteu-se a elas. Nem sequer inaugurou uma moral absoluta e global. Escolheu ser testemunho de um Amor exemplar, que dita um Bem sem fim e vive como uma Presença... para além do Tempo.Jerusalém: nada do que te poderemos dar se equipara àquilo que nos dás, de graça – a Vida! Desejar a dita Jerusalém Celeste é tudo o que nos resta, a nós caminhantes.Aos que não crêem: procurem um lugar neste mundo que diga tanto de tantos homens, e dar-vos-ei razão!

Mulheres em Acção

Medicamento não deve ser vendido sem receita médica
No requerimento da providência cautelar, a Associação Mulheres em Acção defende que a comercialização dos comprimidos Norlevo 1,50 mg deverá estar condicionada a uma "necessária e prévia prescrição médica". Refere também o incumprimento de uma directiva comunitária, salientando que Portugal e Espanha estão integrados na União Europeia e estão sujeitos "aos mesmos procedimentos comunitários de autorização e fiscalização de medicamentos de uso humano". Na perspectiva das representantes da associação, o folheto informativo do medicamento que circula em Portugal encontra-se em "grave violação de normas internas portuguesas", resultantes de uma directiva da CEE de 1992 relativa à rotulagem e à bula dos medicamentos para uso humano. "É totalmente indecifrável a razão pela qual o Estado espanhol detém e transmite aos seus cidadãos um conjunto de informações, cautelas e avisos acerca de um medicamento homólogo ao nosso, que o Estado português (no caso, o Infarmed) omite ou permite/autoriza a sua omissão, e assim não transmite (não obriga a transmitir) nem acautela", consideram.


[ PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - SOCIEDADE
Director: José Manuel FernandesDirectores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5880 Quarta, 3 de Maio de 2006 ]

Ditadura do Relativismo

Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decénios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao colectivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia, surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.
Paróquia de Nossa Senhora do Carmo e Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano
Ciclo de Conferências: O Relativismo e o Esplendor da Verdade
Dia 3 de Maio - 21.30
A Cultura do relativismo: Arte, literatura e Ciência…
Doutora Maria do Rosário Lupi Belo
Doutor Henrique Leitão
Arquitecto Pedro Marques de Abreu

(Salão Paroquial de Nossa Senhora do Carmo – Alto do Lumiar
Esquina da Av. M. Helena Vieira da Silva com R. Raul Mesnier du Ponsard perto da Alameda das Linhas de Torres)

As Universidades e as raízes cristãs europeias

No dia 1 de Abril o Papa Bento XVI dirigiu-se aos participantes de um seminário organizado pela Congregação vaticana para a Educação Católica sobre «O património cultural e os valores das Universidades europeias como base para a atractividade do "Espaço Europeu de Educação Superior". Nesta carta realça-se a importância das Universidades e dos estudos superiores na redescoberta das raízes cristãs da Europa.
"(...) Da concepção bíblica do homem, a Europa tirou o melhor da sua cultura humanista observava João Paulo II, na sua Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa e... promoveu a dignidade da pessoa, fonte de direitos inalienáveis" (n. 25). Desta forma a Igreja acrescentava o meu venerado Predecessor contribuiu para difundir e consolidar os valores que tornaram universal a cultura europeia. Todavia, o homem não pode compreender-se a si mesmo de maneira plena, se prescindir de Deus. É por este motivo que a dimensão religiosa da existência humana não pode ser descuidada, no momento em que se começa a construção da Europa do terceiro milénio. Aqui sobressai o papel peculiar das Universidades como universo científico, e não apenas como um conjunto de diferentes especializações: na situação actual, pede-se-lhes que não se contentem com instruir, com transmitir conhecimentos técnicos e profissionais, que são muito importantes mas insuficientes, mas que se comprometam também no desempenho de uma atenta função educativa ao serviço das novas gerações, fazendo apelo ao património de ideais e de valores que caracterizaram os séculos passados. Deste modo, a Universidade poderá ajudar a Europa a conservar e a reencontrar a sua "alma", revitalizando as raízes cristãs que lhe deram origem. (...)"

Defesa da Vida

Numa altura em que tantos países, supostamente civilizados, alteram as suas legislações no sentido de não punir o assassínio não só de fetos (aborto) mas também de doentes (eutanásia), a Igreja proclama bem alto a defesa intransigente que os cristãos devem fazer da Vida.
"Bento XVI reza neste mês de maio para que a Igreja contribua à paz e à justiça, e para que assim se respeite a vida humana desde sua concepção até seu término natural.
É o que anunciam as duas intenções, a geral e a missionária, do Apostolado da Oração, que o Papa assume como próprias para oferecer suas orações e sacrifícios junto a milhares de leigos, religiosas, sacerdotes e bispos do mundo inteiro.
A intenção geral diz: «Para que a riqueza de dons que o Espírito Santo dispensa à Igreja contribua ao crescimento da paz e da justiça no mundo».
A intenção missionária do Papa é: «Para que nos países de missão os responsáveis das Instituições públicas promovam e defendam com leis oportunas a vida humana desde a concepção até seu término natural».
Em um comentário publicado pela agência missionária da Santa Sé, «Fides», o cardeal mexicano Juan Sandoval Iñiguez, arcebispo de Guadalajara, recorda, em particular aos políticos e parlamentares que «as leis dos Estados têm como objetivo próprio garantir o bem das pessoas e defender os mais frágeis e indefesos».
«O Estado tem o dever de defender a vida dos cidadãos e o bem comum. Nenhuma pesquisa ou opinião da maioria ou consenso pode atentar aos bens primordiais da humanidade», afirma o purpurado.
Quando assim sucede, lamenta, «a vida social aventura-se nas areias movediças de um relativismo total. Então tudo é convencionável, tudo é negociável: inclusive o primeiro dos direitos fundamentais, o direito à vida».
«Qualquer tipo de lei que, diretamente ou indiretamente obrigue a ir contra a vida, é duplamente uma lei irracional ou injusta. Rezemos para que sempre existam leis justas e em defesa da vida humana», exorta o purpurado."

terça-feira, maio 02, 2006

Catolicismo no Mundo

"A Santa Sé divulgou este fim-de-semana os últimos números do catolicismo no mundo, que revelam um aumento significativo de baptizados entre 1978 e 2004, ao mesmo tempo que diminuía o número de padres.
No último quarto de século, o número de católicos aumentou 45%, passando de 757 milhões para 1,098 mil milhões (mais 341 milhões). Uma análise cuidada dos números confirma a crescente importância da África para a Igreja, continente em que o número de católicos baptizados quase triplicou, passando de 54,7 milhões para 149 milhões.
O “Annuarium Statistitucm Ecclesiae” (Anuário estatístico da Igreja) de 2004, preparado pelo departamento central de estatística da Igreja, foi apresentado no momento em que a Igreja celebra a Semana de oração pelas vocações (ver Dossier AE). Os últimos dados disponíveis mostram que o número de padres em todo o mundo caiu 3,5% em 26 anos, destacando que o resultado foi influenciado por uma forte queda na Europa, apesar do aumento verificado na África.
O número global de padres, que chegava a 420.971 em 1978, caiu para 405.891 há dois anos atrás. O Vaticano considerou como “globalmente decepcionante" a situação.
Na Europa, o número de padres apresentou uma quebra de 20% no referido período, de 250.498 para 199.978. Na África, por outro lado, o número de padres passou de 16.926 para 31.259, um aumento de 84,6%.
Na Ásia, o aumento foi de 74%, de 27.700 para 48.222. O continente americano apresenta uma variação quase insignificante, com o número de padres a subir 1% - de 120.271 para 121.634.
O Anuário estatístico da Igreja, em comparação com o Anuário Pontifício (que privilegia nomes e biografias), procura oferecer um quadro dos principais aspectos que caracterizam a actividade pastoral da Igreja Católica."

Maio, mês de Maria


Maio é o mês de Maria. Bento XVI realçou este domingo o papel de Nossa Senhora e fez um convite a todos os cristãos.
"Bento XVI propôs aos fiéis que façam deste mês de maio um período para redescobrir o papel da Virgem Maria, «mãe e mestra» na vida cristã. Recordando que após a ressurreição de Cristo os apóstolos reuniam-se junto à Mãe de Jesus, o Papa explicou ao meio-dia deste domingo, antes de rezar o «Regina Caeli», que Maria foi para eles «mãe e mestra, papel que continua desempenhando com os cristãos de todos os tempos». «A cada ano, no tempo pascal, vivemos mais intensamente esta experiência, e talvez precisamente por este motivo a tradição popular consagrou a Maria o mês de maio, que normalmente cai entre Páscoa e Pentecostes», considerou. Por este motivo, o bispo de Roma convidou a redescobrir neste mês «o papel maternal que ela desempenha em nossa vida para que sejamos discípulos dóceis e testemunhas valentes do Senhor ressuscitado». O Papa encomendou a Maria «as necessidades da Igreja e de todo o mundo, especialmente neste momento marcado por não poucas sombras». Por último, convidou os presentes a invocar a intercessão de São José, a quem a Igreja recordará amanhã como operário, em especial a favor do mundo do trabalho."