quinta-feira, junho 29, 2006

Intenções do Papa

Ainda vamos a tempo de nos unirmos ao Santo Padre nas suas intenções para o mês de Junho:
1- Que as famílias cristãs acolham com amor todos os recém-nascidos, e ofereçam carinho aos doentes e idosos que precisem de ajuda e assistência.
A família cristã é comunidade de amor, imagem e semelhança da vida trinitária. Por cada filho que nasce aumenta a riqueza da família e do mundo: cada homem é êxtase de Deus, que ao criá-lo viu "que ele era muito bom" (Gn 1,31). A atitude na família deve brotar da inserção participativa no amor de Deus. É este amor que deve animar as relações interpessoais na família, constituindo a sua sua força interior vivificante. "... a instituição do matrimónio e o amor conjugal, ordenam-se à procriação e educação da prole, na qual se encontra a sua coroa" ("A Família Cristã", de João Paulo II). Ou seja: o amor conjugal não se esgota no seio do casal mas antes os habilita para a máxima doacção, por meio da qual se tornam cooperadores de Deus no dom da vida. Os pais são, por isso, chamados a acolher com generosidade os filhos da mãos de Deus, desenvolvendo uma estima profunda pela sua dignidade de Filhos de Deus.
A vida dos idosos tem o precioso carisma de quebrar as barreiras entre as gerações, para além de serem "testemunhos" valiosíssimos do passado e inspiradores de sabedoria para os jovens. Da Carta aos idosos, de João Paulo II: "Obrigado Senhor porque em todas as idades pedes a cada um que desenvolva os seus talentos. Obrigado Senhor, porque o serviço do Evangelho não é uma questão de idade!"
2- Que os pastores e fiéis cristãos considerem o diálogo inter-religioso e a inculturação do Evangelho como um serviço quotidiano a prestar à causa da evangelização dos povos.

segunda-feira, junho 26, 2006

Festividade de S.José Maria Escrivá


Hoje a Igreja celebra a festividade de S. José Maria Escrivá. Em 17 de Maio de 1992, João Paulo II beatifica Josemaria Escrivá de Balaguer. Proclama-o santo dez anos depois, em 6 de Outubro de 2002, na Praça de São Pedro, em Roma, perante uma grande multidão. “Seguindo o seu exemplo”, disse nessa ocasião o Papa na sua homilia, “difundi na sociedade a consciência de que todos somos chamados à santidade, sem distinção de raça, de classe, de cultura ou de idade”.

Dele aqui fica uma advertência forte.
"Cumpres um plano de vida exigente: madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito, és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros. Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade", és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores "pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti. (Sulco, 739)."

ORA PRO NOBIS

terça-feira, junho 06, 2006

Homilia do Papa no Pentecostes


Queridos irmãos e irmãs!
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu com poder sobre os apóstolos; deste modo começou a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus havia preparado os onze para esta missão ao aparecer-lhes em várias ocasiões depois da ressurreição (cf. Actos 1, 3).
Antes da ascensão ao Céu, «ele mandou que não se ausentassem de Jerusalém, mas que aguardassem a Promessa do Pai» (cf. Actos 1, 4-5); ou seja, ele lhes pediu que ficassem juntos para se preparar para receber o dom do Espírito Santo. E eles se reuniram na ocasião com Maria no Cenáculo, à espera deste acontecimento prometido (Cf. Actos 1, 14). Permanecer juntos foi a condição que pôs Jesus para acolher o dom do Espírito Santo; o pressuposto de sua concórdia foi a oração prolongada. Deste modo, é oferecida a nós uma formidável lição para cada comunidade cristã. Às vezes se pensa que a eficácia missionária depende principalmente de uma programação atenta e de sua sucessiva aplicação inteligente através de um compromisso concreto.
Certamente o Senhor pede nossa colaboração, mas antes de qualquer outra resposta é necessária a sua iniciativa: seu Espírito é o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes de nosso ser e de nosso actuar estão no silêncio sábio e providente de Deus. As imagens que São Lucas utiliza para indicar a irrupção do Espírito Santo – o vento e o fogo – recordam o Sinai, onde Deus se havia revelado ao povo de Israel e havia concedido sua aliança (cf. Êxodos 19, 3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa do pacto.
Ao falar das línguas de fogo (cf. Actos 2, 3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa do novo pacto, no qual a Aliança com Israel se estende a todos os povos da terra. A Igreja é católica e missionária desde o seu nascimento.
A universalidade da salvação se manifesta com a lista das numerosas etnias às quais pertence quem escuta o primeiro anúncio dos apóstolos (cf. Actos 2, 9-11). O Povo de Deus, que havia encontrado no Sinai a sua primeira configuração, amplia-se hoje até superar todas as fronteiras de raça, cultura, espaço e tempo. De forma diferente da que aconteceu com a torre de Babel, quando os homens que queriam construir com as suas mãos um caminho para o céu terminaram por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente, o Pentecostes do Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão em comunhão.
O orgulho e o egoísmo do homem criam sempre divisões, levantam muros de indiferença, de ódio e de violência. O Espírito Santo, pelo contrário, faz que os corações sejam capazes de compreender as línguas de todos, pois restabelece a ponte da autêntica comunicação entre a Terra e o Céu.
O Espírito Santo é o Amor.
Mas como é possível entrar no mistério do Espírito Santo?
Como se pode compreender o segredo do Amor?
A passagem evangélica leva-nos hoje ao Cenáculo, onde, terminada a última Ceia, uma experiência de desconcerto entristece os apóstolos. O motivo é que as palavras de Jesus suscitam interrogações inquietantes: fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala de uma misteriosa partida sua e fica ainda muito por dizer, mas no momento os apóstolos não são capazes de carregar o peso (cf. João 16, 12).
Para consolá-los, explica-lhes o significado de sua partida: irá, mas voltará, e enquanto isso não abandonará, não os deixará órfãos. Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito quem lhes permitirá conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d’Ele que se entregou, amor do Pai que o deu.
Este é o mistério de Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, ao revelar Cristo crucificado e ressuscitado, indica o caminho para fazer-se mais semelhante a Ele, ou seja, ser «expressão e instrumento do amor que provém d’Ele» («Deus caritas est», 33).
Reunida junto a Maria, como em seu nascimento, a Igreja hoje implora: «Veni Sancte Spiritus!» - «Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor!».
Ámen.