quinta-feira, setembro 20, 2007

Patriarca pede compromisso dos cristãos

D. José Policarpo toma parte na sessão húngara do ICNE e apela à caridade e à alegria na evangelização
D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, presidiu hoje a uma celebração eucarística em Budapeste (Hungria), onde decorre a quinta sessão do Congresso Internacional da Nova Evangelização (ICNE).
Na sua homilia, o Patriarca pediu que “a caridade, a missão e a alegria” se tornem “sinais de um testemunho”.
Apelando à participação de todos os cristãos neste esforço evangelizador, o Cardeal lisboeta disse que “de uma valorização correcta dos carismas depende, em larga medida, o entusiasmo e a vitalidade da missão, vivida na alegria de se sentir empenhados na missão do próprio Cristo”.
D. José da Cruz Policarpo é um dos promotores do ICNE e rematou assim as suas intervenções oficiais no decurso dos cinco anos em que o Congresso se desenrolou em várias cidades europeias (Viena, Paris, Lisboa, Bruxelas e Budapeste).
A sua homilia procurou aprofundar o sentido humano e cristão da alegria, como factor dinâmico da evangelização do mundo contemporâneo.
“O dom da alegria, na vida cristã, está ligado à expressão da comunhão entre as pessoas e à generosidade do amor e da fidelidade do amor de Cristo ao Pai, no Espírito Santo, e aos homens que Deus ama”, disse.
“Quando assumimos a missão como participação na missão de Cristo, mesmo quando se perde a vida, participamos na alegria do Senhor, fruto da sua fidelidade. Alegria e missão estão profundamente ligadas, porque nelas a nossa fé se transforma em caridade e é o amor que salva o mundo”, completou, indicando que “a evangelização não é uma tarefa, é uma paixão de amor”.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Teologia de joelhos

A teologia autêntica faz-se «de joelhos», com fé, explicou Bento XVI num dos seus últimos actos públicos na Áustria. A teologia cristã, explicou, «não pode ser só uma reflexão humana sobre Deus, mas leva em conta sempre, ao mesmo tempo, o ‘Logos’ e a lógica com a qual Deus se revela».
«Por este motivo, a intelectualidade científica e a devoção vivida são dois elementos próprios do estudo que, segundo uma complementaridade irrenunciável, se dependem mutuamente.» Recordando São Bernardo de Claraval (1090-1153), explicou que lutou em sua época «contra uma racionalidade» desapegada da «espiritualidade eclesial».
«Nossa situação hoje, ainda que diferente, tem contudo notáveis semelhanças – reconheceu. Com a obsessão de obter o reconhecimento de rigoroso caráter científico no sentido moderno, a teologia pode perder sua dimensão de fé.»«Uma teologia que deixa de respirar a atmosfera da fé deixa de ser teologia; acaba reduzindo-se a uma série de disciplinas mais ou menos ligadas entre si», denunciou o Papa teólogo.
«Onde, pelo contrário, se pratica uma ‘teologia de joelhos’, como dizia Hans Urs von Balthasar, não faltará fecundidade para a Igreja», assegurou.

Quem busca Jesus sem a cruz encontrará a cruz sem Jesus

Comentário do Pe. Cantalamessa à liturgia do XXIII Domingo do tempo comum

A passagem do Evangelho deste domingo é uma dessas que dão a tentação de se amenizar por parecer demasiado dura para os ouvidos: «Se alguém vem até mim e não odeia seu pai, sua mãe...». Antes de tudo há algo a esclarecer: certamente o Evangelho é em certas ocasiões provocante, mas nunca contraditório. Pouco depois, no mesmo Evangelho de Lucas, Jesus recorda com a força o dever de honrar ao pai e a mãe (Cf. Lucas 18, 20), e a propósito do marido e da mulher, diz que tem de ser uma só carne e que o homem não tem direito de separar o que Deus uniu. Então, como pode dizer-nos agora que há que odiar o pai e a mãe, a mulher, os filhos e os irmãos?
Deve-se ter em conta um fato. Em hebraico não há comparativo de superioridade ou de inferioridade (amar a alguém mais ou menos que a outra pessoa); simplifica e reduz todo o «amar» ou «odiar». A frase «se alguém vem até mim e não odeia seu pai e sua mãe» deve ser entendida, portanto, neste sentido: «se alguém vem até mim sem preferir-me a seu pai e a sua mãe». Para dar-se conta disto basta ler a mesma passagem do Evangelho de Mateus onde diz: «Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim» (Mateus 10, 37).
Seria totalmente equivocado pensar que este amor por Cristo está em competição com os diferentes amores humanos: pelos pais, o cônjuge, os filhos, os irmãos. Cristo não é um «rival no amor» de ninguém e não tem ciúmes de ninguém.
O amor por Cristo não exclui os demais amores, mas que os guarda. E mais, nele todo amor genuíno encontra seu fundamento, seu apoio e a graça necessária para se vivido até o final. Este é o sentido da «graça de estado» que confere o sacramento do matrimónio aos cônjuges cristãos. Assegura que, em seu amor, serão apoiados e guiados pelo amor que Cristo teve por sua esposa, a Igreja.
Jesus não faz ilusões a ninguém, mas tampouco desilude; pede tudo porque quer dar tudo; e mais, já o deu todo. Alguém poderia perguntar-se: mas como pode este homem, que viveu há vinte séculos em um lugar perdido do planeta pedir-nos este amor absoluto? A resposta, sem necessidade de remontar-nos muito longe, se encontra em sua vida terrena que conhecemos pela história: ele foi o primeiro a dar tudo pelo homem: «Cristo nos amou e se entregou por nós» (Cf. Efésios 5, 2).
Nesta mesma passagem do Evangelho, Jesus nos recorda também qual é o teste e a prova do verdadeiro amor por ele: «carregar a própria cruz». Carregar a própria cruz não significa buscar sofrimentos. Cristo tampouco se pôs a buscar sua cruz; em obediência à vontade do Pai, carregou-a sobre si quando os homens se lhe puseram em suas costas, transformando-a com seu amor obediente de instrumento de suplício em sinal de redenção e de glória. Jesus não veio para aumentar as cruzes humanas, mas para dar-lhes um sentido. Com razão, se disse que, «quem busca Jesus sem a cruz, encontrará a cruz sem Jesus», ou seja, de todos os modos encontrará a cruz, mas sem a força para carregá-la.

in Zenit