segunda-feira, outubro 15, 2007

Papa saudou peregrinos de Fátima


Bento XVI uniu-se ao encerramento das celebrações dos 90 anos das aparições. Cardeal Bertone sublinhou actualidade da mensagem.
Bento XVI uniu-se hoje ao encerramento das celebrações dos 90 anos das aparições na Cova da Iria, um "significativo aniversário" de que recordou a mensagem de penitência e conversão. Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a recitação do Angelus e em ligação directa à igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, Bento XVI lembrou a aparição de 13 de Outubro de 1917 e deixou um pedido especial: "Nunca esqueçais o Papa".
Falando em português, exortou os peregrinos a "renovarem pessoalmente a sua própria consagração ao Imaculado Coração de Maria" e a viverem "este acto de culto com uma vida cada vez mais conforme à Vontade divina e em espírito de serviço filial e devota imitação da sua celeste Rainha".
O Papa estendeu a sua benção aos peregrinos reunidos no Santuário de Fátima. "Lá, desde há noventa anos, continuam a ecoar os apelos da Virgem Mãe que chama os seus filhos a viverem a própria consagração baptismal em todos os momentos da existência", referiu, pedindo uma entrega dos crentes a Maria, com um sinal palpável, "a reza diária do terço".
A nova igreja encontrava-se completamente lotada e milhares de pessoas acompanharam a cerimónia no exterior do edifício.
Na homilia da Missa desta manhã, o Cardeal Tarcisio Bertone destacou a actualidade de Fátima, "lugar escolhido por Nossa Senhora para oferecer, através dos três Pastorinhos, uma mensagem maternal à Igreja e ao mundo inteiro". O enviado do Papa mostrou a sua alegria pela "profunda veneração pelo Sucessor de Pedro que se respira em Portugal". "Completados noventa anos das aparições, Fátima continua a ser um farol de consoladora esperança, mas também um forte apelo à conversão", indicou. O Cardeal Bertone destacou o facto de serem as crianças os escolhidos como "colaboradores privilegiados para combater, com as armas da oração e da penitência, o sacrífício e o sofrimento, a terrível lepra do pecado que corrompe a humanidade".
Também Bento XVI abordou este tema, criticando a "lepra do espírito que desfigura o rosto da humanidade". "À Senhora, pedimos por todos os cristãos, para que lhes dê o dom de uma verdadeira conversão, a fim de que seja anunciada e testemunhada com coerência e fidelidade a perene mensagem evangélica, que indica à humanidade o caminho da verdadeira paz", apontou.
Mais de 350 mil pessoas terão passado, ao longo dos últimos dias, pelo Santuário de Fátima. Aqueles que se encontravam no local este Domingo testemunharam o apelo de Bento XVI pela libertação de dois sacerdotes siro-católicos, raptados e ameaçados de morte no Iraque. "A violência não resolve as tensões", assegurou o Papa.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Dom Manuel Clemente pede «laicidade positiva»

Dom Manuel Clemente dirigiu-se aos capelães para manifestar o seu apoio e também se endereçou ao governo, para solicitar uma laicidade positiva. Em momentos que surgem interrogações sobre o futuro jurídico e pastoral das capelanias hospitalares, o bispo do Porto afirmou o seu apoio «total» à vontade dos capelães e dos ministros da Igreja de estar ao lado dos doentes. O prelado apoia ainda «tudo quanto tem sido feito para desenvolver nesses estabelecimentos uma acção conjugada das capelanias com a medicina em geral, para o apoio espiritual aos doentes, tantas vezes reconhecido como determinante para a sua recuperação ou tratamento, bem como para a vivência serena de momentos decisivos». Na sua mensagem, Dom Manuel Clemente questiona: «o que está em causa, quando se restringe a proposta religiosa, geral ou específica, no espaço público ou estatal?»«Pode estar em causa um preconceito de tipo laicista, que fere a liberdade pessoal e contraria a própria laicidade ou secularidade do Estado», afirma. Segundo explica o prelado, a laicidade ou secularidade do Estado «é um real ganho da história e da civilização». A laicidade «considera que, no seu âmbito específico e como organização política fundamental, o Estado não tem nem promove uma confissão religiosa particular, em detrimento de outras ou de nenhuma, dos cidadãos que a não compartilham.» Mas, «se daqui partirmos para uma atitude estatal que considere irrelevante ou meramente individual a atitude religiosa, para concluir que não lhe deve dar condições de auto-desenvolvimento e concretização comunitária, então estamos diante duma laicidade negativa, também designada por laicismo ou secularismo». «A maior dificuldade que esta atitude acarreta provém da sua natureza ideológica. Na verdade, não parte do respeito pela realidade de cada pessoa e da própria sociedade ou sociabilidade, mas duma abstração conceptual que pretende criar outra realidade.»«Parte do princípio de que a convicção religiosa ou a preferência cultural são algo de individual, que cada um resolve por si mesmo. Esquece que, sendo dimensões intrínsecas do ser humano, como toda a história demonstra, são necessariamente inter-pessoais», explica o bispo. Esquece ainda que, «como fato cultural e social, a religião pode e deve ser reciprocamente proposta, mesmo que não seja acolhida. Devemos aos outros a proposta religiosa e a partilha das convicções. Quando tal não acontece nem é promovido, é a própria vivência democrática que se rarefaz». Pelo contrário, «a laicidade positiva levará o Estado a respeitar a realidade, também religiosa, de cada sociedade e, sem se imiscuir nela, criar as condições da respectiva concretização e proposta, possibilitando a todas as confissões a sua interação no espaço público, como manifestação criativa da vitalidade social e cultural».«Só assim se respeita ativamente a realidade de cada pessoa e dos seus grupos de pertença», escreve o bispo.