quinta-feira, dezembro 31, 2009

Papa para o Dia Mundial da Paz

MENSAGEM DE BENTO XVI PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2010
SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO

1. Por ocasião do início do Ano Novo, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades cristãs, aos responsáveis das nações, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus»e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade. Com efeito, se são numerosos os perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante – guerras, conflitos internacionais e regionais, actos terroristas e violações dos direitos humanos –, não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, é indispensável que a humanidade renove e reforce «aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho».
Leia a mensaguem completa aqui.

O horror do vazio

Artigo de Opinião
2009-02-16

Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche.
A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.
Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã.
E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime.
O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

Mensagem de Natal de D. José

Abaixo disponibilizamos a Mensagem de Natal do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo ao Seminário dos Olivais: http://bit.ly/7fAkap

Esclarecimento do Patriarca

CARTA DO CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA
AOS PÁROCOS E ÀS COMUNIDADES CRISTÃS DO
PATRIARCADO DE LISBOA

Irmãos e Irmãs,

A propósito da aprovação pelo Governo do Projecto de Lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a apresentar à Assembleia da República, um jornal diário da capital noticiou em título que o Patriarca de Lisboa, num encontro com o Primeiro-Ministro, celebrou com ele um “pacto”, subentendendo nesse título uma certa condescendência da Igreja com o referido Projecto-Lei. Dada a gravidade da insinuação que deixou perplexos muitos católicos, dirijo-vos esta carta para esclarecer o que realmente se passou.

1. O Patriarca de Lisboa encontrou-se, de facto, com o Senhor Primeiro-Ministro, a pedido deste, no dia 20 de Outubro. Ficou assente entre ambos que não haveria declarações para o público sobre os assuntos nele abordados. O Patriarca de Lisboa foi fiel a este compromisso de discrição. Consideramos perfeitamente normal que, apesar do ordenamento constitucional de separação da Igreja e do Estado, que não exclui o princípio da cooperação confirmado na Concordata, haja momentos de diálogo entre os Órgãos de Soberania e a Hierarquia da Igreja. Esses encontros são, por natureza discretos, dada a consciência mútua de que a Hierarquia da Igreja não quer imiscuir-se na esfera política e na área de competência do Estado e dos seus Órgãos de Soberania.

2. O encontro noticiado, o primeiro entre o actual Primeiro-Ministro e o Patriarca de Lisboa, foi uma troca de impressões sobre diversos aspectos da nossa sociedade actual, da qual a Igreja faz parte enquanto comunidade particularmente significativa. Acerca de nenhum dos pontos abordados nesse encontro, houve “pactos” ou “compromissos”. Ambos os interlocutores estavam conscientes da especificidade das instituições que representavam. Nem o Senhor Primeiro-Ministro sugeriu nenhum “pacto”, nem o Patriarca de Lisboa podia assumir qualquer compromisso que significasse, ainda que indirectamente, o condicionamento da liberdade da Igreja de afirmar a sua doutrina acerca de qualquer problema da sociedade portuguesa.

3. O assunto referido pela comunicação social, a possível legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi realmente abordado. Mereceu um intercâmbio de perspectivas sereno e franco. O Senhor Primeiro-Ministro afirmou a sua determinação em avançar com o Projecto, o Patriarca de Lisboa reafirmou a posição da Igreja e a disposição de a afirmar publicamente quando achasse oportuno e pelos meios próprios da sua intervenção pastoral, direito da Igreja que o Senhor Primeiro-Ministro claramente reconheceu.

4. A Hierarquia da Igreja mantém, assim, toda a liberdade de anunciar a sua doutrina acerca desta questão e fá-lo-á quando achar oportuno e pelos meios consentâneos com a sua missão. A Igreja reconhece a legitimidade legislativa do Estado, mas não deixará de interpelar a consciência dos decisores e de elucidar a consciência dos cristãos sobre a maneira de se comportarem acerca de leis que ferem gravemente a compreensão cristã do homem e da sociedade.
A Hierarquia da Igreja usará os meios e os modos consentâneos com a sua missão: proclamação da sua doutrina e o diálogo com pessoas e instituições para o qual está sempre disponível. Não consideramos consentâneas com a missão da Hierarquia formas públicas de pressão política que os cristãos, no exercício dos seus direitos de cidadania, são livres de promover ou de nelas participar.

5. A doutrina da Igreja acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo é conhecida. Nesta circunstância concreta, é, certamente, ocasião de explicitar claramente os seus fundamentos. Está em questão uma alteração grave da compreensão antropológica do casamento, da sua dimensão institucional baseada num acordo celebrado entre um homem e uma mulher, constituindo, assim, uma família, célula base da sociedade. Esta concepção do casamento e da família está, desde sempre, expressa em todas as culturas, porque radica num elemento basilar da verdade da natureza.
Não se trata, nesta circunstância, de tomar posição sobre as pessoas homossexuais; a doutrina da Igreja, marcada pela verdade e pela caridade, está claramente expressa. Trata-se, isso sim, de salvaguardar a verdade acerca do casamento e da família.

A Encarnação do Verbo de Deus, que estamos a celebrar no Natal, exige de nós a firmeza da verdade e a bondade da caridade. Desejo a todos um Santo Natal.

Lisboa, 21 de Dezembro de 2009

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Preparar o Natal

Conselho do Papa: preparar o Natal dando espaço para Jesus no coração
Bento XVI recomendou, em especial aos jovens, que se preparem para o Natal reservando um espaço no coração para Jesus.
Este foi o conselho que deu no final da audiência geral de hoje, realizada na sala Paulo VI, ao dirigir-se aos numerosos jovens presentes, alguns deles estudantes.
“Reservai um espaço em vosso coração a Jesus, que vem para testemunhar sua alegria e sua paz”, disse-lhes o Santo Padre.
Depois, dirigindo-se aos “queridos enfermos”, alguns deles em cadeiras de rodas, convidou-os a acolher “o Senhor em vossa vida para encontrar no contato com Ele apoio e consolo”.
Por último, cumprimentou os recém-casados, alguns deles com sua roupa de casamento, para pedir-lhes que façam “da mensagem de amor do Natal a regra de vida da vossa família”.

Estandartes de Natal

Este Natal ponha o Menino Jesus em sua casa!

terça-feira, dezembro 15, 2009

Bento XVI em Portugal

A viagem de Bento XVI a Portugal está confirmada para os dias 11 a 14 de Maio de 2010. O pontífice visitará três cidades: Lisboa, Fátima e Porto. Isto é o que indica o programa da visita do Papa a Portugal, anunciado por D. Carlos Azevedo, coordenador geral da visita pontifícia.
Segundo o programa, Bento XVI chega no dia 11 de Maio, às 11h, ao aeroporto da Portela. Às 12h45, acontece a cerimónia de boas-vindas, no Mosteiro dos Jerónimos.
No início da tarde desse dia, às 13h30, o Papa faz uma visita de cortesia ao presidente da República, no Palácio de Belém. Depois, às 18h15, preside à Missa, num local de Lisboa ainda a definir. D. Carlos Azevedo destacou que será uma “grande celebração”, em algum “espaço largo” à beira rio do rio Tejo.
O bispo, que é presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social da Conferência Episcopal Portuguesa, disse que durante a Eucaristia, o Papa deve deixar “uma mensagem fundamental para este tempo em que vivemos, que é o desafio da santidade”, tema da viagem.
No dia 12 de Maio, Bento XVI encontra-se às 10h com o mundo da cultura, no Centro Cultural de Belém. Às 12h, estará com o primeiro-ministro, na Nunciatura Apostólica.
Às 16h40, o Papa parte em helicóptero para Fátima. Já às 17h30 visita a Capelinha das Aparições, no Santuário. Às 18h, preside às Vésperas com presbíteros, religiosos, seminaristas e diáconos, na Igreja da Santíssima Trindade. Encerrando o dia, às 21h30, o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, preside à Recitação do Rosário e Procissão das Velas.
No dia 13 de Maio, às 10h, Bento XVI preside à Santa Missa, no Recinto do Santuário de Fátima.
No final da Eucaristia, o Papa visitará a Basílica do Santuário, onde estão os túmulos dos pastorinhos Francisco Marto, Jacinta Marto e Lúcia de Jesus.
O Papa almoça com os bispos de Portugal e com o séquito papal, às 13h, e às 17h mantém um encontro com as organizações da Pastoral Social, na Igreja da Santíssima Trindade. Às 18h45 acontece o encontro com os bispos de Portugal, na Casa de Nossa Senhora do Carmo, no Santuário de Fátima.
No último dia da viagem a Portugal, 14 de Maio, Bento XVI despede-se, às 8h, da Casa Nossa Senhora do Carmo, e às 9h30 chega ao heliporto da Serra do Pilar, em Gaia. Às 10h15, preside à Santa Missa, na Avenida dos Aliados, no Porto. Às 13h30 haverá a cerimónia de despedida, no aeroporto internacional do Porto, de onde o Papa regressará a Itália.
Em cada diocese a ser visitada pelo Papa em Portugal, as celebrações terão um tema próprio. “Santidade e Evangelização”, em Lisboa; “Repartir com alegria”, em Fátima, e “Igreja é Missão”, no Porto.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Prémio Pessoa para D. Manuel

O vencedor da edição do ano 2009 do Prémio Pessoa é o bispo da diocese do Porto. "Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", considerou o juri do prémio Pessoa.
Pela primeira vez em 22 anos, o Prémio Pessoa foi atribuído a uma personalidade da Igreja. D. Manuel Clemente, que durante vários anos foi bispo auxiliar de Lisboa, foi nomeado pelo Vaticano novo bispo do Porto em Fevereiro de 2007, substituindo Armindo Coelho na chefia da diocese. Licenciado em História e Teologia, doutorado em Teologia Histórica, Manuel Clemente, 61 anos, é presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, sendo igualmente professor de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa e director do Centro de Estudos de História Religiosa na mesma universidade. "A sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, de combate à exclusão e da intervenção social da Igreja", acrescentou o juri. Ao mesmo tempo que leva a cabo a sua missão pastoral, D. Manuel Clemente desenvolve uma intensa actividade cultural de estudo e debate público.

Cristianofobia

Realizou-se em Viena um encontro com o sugestivo título: "Intolerância e discriminação contra os cristãos".

Não, não foi organizado pela Igreja! Este encontro partiu da iniciativa de um vice-presidente do Parlamento Europeu e membro da OSCE para as questões de racismo, xenofobia e discriminação. Em causa estava o que, actualmente, se passa na União Europeia. Alguns, chamam-lhe "cristianofobia" - expressão, aliás, que já foi utilizada pelas Nações Unidas.
Os episódios sucedem-se, alguns deles revelados nesta reunião de Viena, são conhecidos: na Grã-Bretanha, uma funcionária do aeroporto foi despedida por usar um crucifixo e uma enfermeira suspensa por ter rezado com uma doente. Em França, incendiaram uma escola católica e uma capela dedicada a Nossa Senhora de Fátima e, na vizinha Espanha, a agressividade surge a vários níveis, a começar pela tentativa de impedir médicos católicos de exercerem o seu direito fundamental à objecção de consciência.
Mas, além destas e de outras denúncias, o aspecto mais importante deste encontro foi romper o tabu do "politicamente correcto" que costuma definir como reaccionários ou obscurantistas os que falam destas coisas. Ora, ao assumir-se publicamente que a discriminação existe e ao colocar, agora, a questão da intolerância contra os cristãos no contexto internacional, este encontro de Viena veio prestar um grande serviço à comunidade.
Aura Miguel